A
ideia do grupo foi trocar as manifestações comuns, com paradas de trânsito e
mobilizações em assembleias fechadas, por um método capaz de mostrar à sociedade
a importância da perícia criminal durante as investigações.
Intervenção de rua promovida por Peritos Criminais ganha página inteira no Correio da Bahia
Publicado em 31/05/2012
Intervenção de rua - esquete teatral - promovida pelo Sindicato dos Peritos Criminais da Bahia ganha página inteira no jornal Correio da Bahia
Os peritos criminais da foto acima não são policiais de
verdade. O morto também não, bem como o fio de sangue em sua testa. Mas, na
manhã desta quarta (30), muita gente que passou em frente ao Iguatemi achou que
se tratava mesmo de uma cena de crime, isolada para trabalho de investigação. Na
realidade, era só um esquete criado pelos peritos criminais do Departamento de
Polícia Técnica (DPT) e encenado por atores baianos, alguns deles integrantes do
elenco de Capitães da Areia, filme baseado na obra homônima de Jorge Amado.
Montar uma cena fictícia em plena manhã e em um dos pontos
mais movimentados da cidade foi a forma encontrada pelos peritos criminais
baianos para começar a campanha salarial da categoria. A ideia do grupo foi
trocar as manifestações comuns, com paradas de trânsito e mobilizações em
assembleias fechadas, por um método capaz de mostrar à sociedade a importância
da perícia criminal durante as investigações.
A ação foi baseada na simulação de uma cena de homicídio.
“Entendemos que, só neste ano, a sociedade foi penalizada com três greves de
serviços essenciais (policiais militares, professores estaduais e rodoviários) e
queremos amenizar essa penalização. A população não deve sofrer por conta das
nossas reivindicações”, destacaou a presidente do Sindicato dos Peritos
Criminalísticos da Bahia (Asbac-Sindicato), Eleusa Santana.
A encenação também teve efeito educativo, mostrando para as
pessoas atitudes que acabam prejudicando a investigação criminológica. Um dos
maiores problemas enfrentados por peritos são os curiosos, que ficam próximos às
cenas de crime, criando tumulto e atrapalhando a investigação. “As pessoas
circulam pela área, muitas vezes chegam perto das vítimas e acabam alterando o
cenário do crime”, afirma Eleusa. Para ela, falta informação. “As pessoas não
recebem instrução de como agir e de como nós precisamos trabalhar. Também por
isso resolvemos fazer esse trabalho”.
Um PM isolando a área e garantindo a preservação da cena, uma
delegada responsável pelas investigações, uma equipe da perícia criminal e, é
claro, um morto. A simulação procurou retratar um pouco da realidade, mostrando
a avaliação do corpo da vítima assassinada, coleta de objetos e digitais.
Os desavisados foram pegos de surpresa, como o sapateiro João
Jorra, 27 anos, que acreditou estar em uma cena de crime, quando a delegada
(interpretada por Keila Queiroz) perguntou se ele sabia de alguma coisa sobre o
homicídio. “A gente fica meio assim, né? Fiquei com medo quando ela me perguntou
se eu sabia de alguma coisa, porque eu não sei de nada”, disse, envergonhado.
Durante a preparação, os atores puderam sentir um pouco da
dificuldade do trabalho pericial. “O tipo de trabalho é difícil, cansativo.
Ouvir as instruções do perito, estar sempre atento para poder fotografar tudo”,
conta o ator Elcian Gabriel (o Almiro de Capitães), que representou o fotógrafo.
“Tivemos trabalho, porque são muitos detalhes. Não é coisa para qualquer um”,
avaliou Jordan Matheus (no filme, o Boa Vida), que interpretou o morto.
“Agora consegui entender como funciona. Eles olham detalhe por
detalhe, procurando os motivos, como tudo começou”, conta André Pereira, que já
viu uma cena real de homicídio onde mora (São Cristóvão). Com meia hora de
apresentação, membros do Asbac-Sindicato alcançaram a população e atraíram até
interessados na profissão. Caso do estudante Salomão Brito, 18, que agora
pretende trabalhar com a perícia criminal: “Vou ver o que preciso fazer. Gostei
muito e quero seguir a profissão”.
A única exigência para a campanha salarial do Asbac-Sindicato
é que o salário do perito seja equiparado a de um delegado. “Durante a
investigação, o perito e o delegado possuem o mesmo nível hierárquico. Só
queremos ser tratados e reconhecidos da mesma forma que eles”, explica Eleusa
Santana.
De acordo com ela, desde 2007, os delegados baianos passaram a
receber mais e ter uma progressão salarial maior que a dos peritos criminais.
“Passamos 30 anos tendo os mesmos salários. Agora a diferença só aumenta.
Queremos que as coisas voltem a ser como eram. E vale lembrar que nós somos
referência em todo pais”, afirma a presidente do sindicato.
Á coordenadora do Laboratório de Genética Forense do DPT,
Tânia Gesteira, lembra que o departamento baiano está entre os três melhores do
Brasil. “Nós temos os melhores laboratórios do Norte-Nordeste. Recebemos
demandas de Sergipe, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Além do Laboratório de Genética, temos outros sistemas que são
referência no país, como o Laboratório de Fonética, nosso Sistema Afis, de
identificação criminal, e o Sistema Abis, de comparação de armas, projéteis e
estojos”, explica Tânia, recém- condecorada com a Medalha de Honra ao Mérito,
dada pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia, em reconhecimento pelos seus
serviços prestados à sociedade.
Com informações de Fábio
Araujo
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